Eu sei que acabou, mas o máximo que posso fazer é sentir muito... E logo no começo desta primavera, já tomei a consciência de que mesmo as mais belas flores cairão no outono. E se teve que ser assim comigo, não há mais nada a ser feito. A não ser sentir muito.
E como sinto...
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
- E você,
por que desvia o olhar?
(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude,sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)
- Ah. Porque eu sou tímida.
(Autor Desconhecido)
domingo, 22 de agosto de 2010
Dose diária
Nem se eu fechar os olhos, poderei te ver novamente. Porque quando eu te deixei ir embora, carregava em minha mente um idéia equivocada de que você não era nada pra mim, e que nunca passaria a ser.. E infelizmente, pude perceber só agora a enorme parte que você levou de mim. Olha, essa parte me faz falta.
E quando me questiono porque não encaro sua presença pra dizer o que sinto, a resposta que recebo é que, muito provavelmente, isso tudo não seja recíproco. E então, chego à conclusão de que me torno uma simples garotinha com medo de que a mais recente lembrança que eu carregue de você se torne o momento em que eu vi tudo o que eu fiz se voltar contra mim, tudo aquilo que eu fiz você passar, acreditando que seria melhor pra nós dois. E não era.
Se por um acaso eu ainda seja importante, e você sentir minha falta, por favor, não hesite em, ao menos, vir me dar um oi..
Tudo o que eu preciso agora são doses diárias do seu amor, porque os meus sentimentos por você continuam intactos.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Amanhã ainda é cedo demais.
Quer saber? Desisto. Desisto de tentar ser alguém que em verdade não tenho sido... Tem sido estranho pra mim voltar ao antigo costume de sorrir durante o dia inteiro e desabar cada pedaço de mim quando a escuridão esconde o sol. Não, não estou tão bem assim, e escondo até a agonia que sinto quando vocês falam assim de outras pessoas, eu me sinto cada vez menos importante..
Não que vocês sejam os culpados, mas eu, eu tenho culpa. Até porque nunca disse que, na verdade, não é só brincadeira quando digo que morro de ciúmes e que me sinto cada vez mais só, precisando de alguém que me faça sentir mais importante, olhando em meus olhos e esquecendo o mundo para me fazer sentir amada. E eu não tenho alguém assim, ao menos não o sinto.
E continuarei assim: sorrindo durante o dia e chorando durante a noite, até que alguém me descubra escondida nas lembranças e no cobertor (ainda já esteja escuro, e eu me encontre sozinha), e me abrace forte. Eu sei, vai ficar tudo bem. Mas amanhã ainda é cedo demais pra mim..
Eu preciso de você aqui, e o único problema é que eu não sei quem é você.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Três desejos.
Era um dia diferente, e eu tinha em mim uma sensação rara que me aparecia apenas nos momentos em que os sentimentos se tornavam imóveis. Uma calma constante misturada a uma vontade de algo que me levasse a agonizar esperando por um momento bom. Abrindo a porta com pensamentos altos como de costume, sentei-me à escada que me costuma levar até a rua, e observei por algum tempo o movimento quase inexistente daquela tarde de domingo. Tentava planejar alguma coisa para o mês que estava por vir, pois meus pais haviam viajado, e eu estaria sozinha por todo esse tempo..
- Aconteceu alguma coisa? - Era o meu melhor amigo, que já havia notado que algo estava estranho comigo depois de me chamar diversas vezes sem resposta. Sentou-se ao meu lado e me observou à espera de que eu dissesse alguma coisa.
- Não - e sorri levemente, seguindo com um abraço que traduzia um "oi".
Ele seguiu ao meu lado, e notando que eu não trazia a sinceridade cotidiana naquela resposta, tentou demonstrar de alguma forma que estaria ali caso eu quisesse desabafar, mas que também estaria ali caso eu desejasse apenas uma companhia que me confortasse a vã ansiedade que até então, era a nossa terceira companhia.
Eu gostaria de dizer a ele o quando desejava receber flores inesperadas, ou uma visita de alguém que não encontrava à muito tempo - deixando claro que não tinha em mente uma pessoa em especial para essa situação-, ou receber um convite para uma grande festa, que seria divertida desde a procura pela roupa perfeita em todos os guarda-roupas que encontrasse pela frente.
Mas que também gostaria de caminhar sozinha pela rua, sem encontrar ninguém, e recusar o convite da festa com uma desculpa qualquer, que esconderia a minha verdadeira intenção de apenas ficar em casa e assistir ao meu filme favorito outra vez...
Ele ria. E eu não entendia o porque.
- Calma, você vai conseguir fazer tudo isso.
- Você aprendeu a ler mentes agora? - eu realmente não entendia como ele sabia tudo o que eu pensava.
- Aprendi sim, principalmente aquelas que falam alto...
E foi com uma crise de riso compartilhada que decidimos por fim, pela opção "assistir ao meu filme favorito", que por coincidência ou não, foi com certeza, a melhor opção a ser escolhida... Eu sabia que era apenas o início das férias perfeitas, que me trariam a realização de todos esses desejos (ou a maior parte deles).
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Rosas vermelhas.
É, eu não preciso de você. Eu só preciso da sua alma, seu amor, e toda sua atenção. De preferência acompanhados de seu corpo e de seus belos olhos verdes.
Realmente não necessito te ter mais perto a cada dia. Eu só preciso que você me diga o que fazer para que você não suporte sequer um momento que contenha uma distância maior que dois centímetros entre nós.
Não quero que seu olhar me acompanhe até onde os teus olhos me podem ver. Eu quero que o seu coração esteja comigo aonde quer que eu vá, e que o seu pensamento seja eu, ignorando mesmo os quilômetros que podem surgir através do longo caminho que planejo percorrer com você, ainda que as separações surjam, tentando mudar o que existe em nós.
É difícil pra mim não poder te ter, te ver. E sim, no presente momento desisto de negar que o seu amor vive em mim.
Então para de ligar, e vem me ver agora! Te espero no lugar de sempre.
PS: Eu gosto de rosas vermelhas!
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Borboleta Colorida
Finalmente teve tempo para respirar um pouco, e em meio a correria de tudo o que tinha que arrumar, parou um pouco, se fixando próxima à varanda. Seu pensamento ainda estava nos deveres, e ela ainda estava a mil. Contas, números, senhas, compromissos, era como se um computador de alta velocidade estivesse dentro de sua cabeça. Mas de repente ali dentro tudo se tornou silencioso.
Virou-se para dentro de seu apartamento, e ao perceber que estava em frente a seu espelho, parou e se observou por alguns segundos. Se aproximou do seu reflexo e conferiu a si mesma. Estava impecável. Mas alguma coisa a incomodava, e ela se sentia vazia.
Os compromissos corridos do dia-a-dia arrancaram a calma que aquela mulher costumava carregar, e o seu sorriso, ela mesma notou: era raro. A companhia de seus domingos não era mais seu livro favorito, e ela havia se convertido em uma incrível máquina de fazer negócios. Mas isso não era tão incrível aos seus próprios olhos.
Voltou-se, então, à varanda outra vez, e ao observar o lindo parque que tinha como vista, se lembrou de todos os planos que tinha ao comprar aquele apartamento. Ela sonhava com ele desde muito nova, e planejava que estaria sempre andando entre as árvores dali, compartilhando o momento com alguém em especial. E então ele se foi, ela se endureceu por dentro, e tudo se converteu em questão de localidade. Sentia dentro de si por alguns minutos uma sensação de vazio que sempre ignorava e insistia em constatar que não era nada.. Mas era sim. Naquela mulher faltava o amor.
O amor próprio, abandonara. O amor de fora, ignorara. E não sabia mais o que fazer.
Estava só por opção e tratava aquilo como estado de vida permanente, recusava-se a mudanças bruscas, sentia medo frequentemente.
Ao olhar para os céus, sentiu algo diferente. De alguma forma, ela tinha absoluta certeza que tinha alguém que se preocupava com todos aqueles sentimentos horríveis que a assombravam, e que ela não abandonava por medo.
E ainda pensando que aquilo seria inútil, fechou os seus olhos e gritou.
- Se realmente existe um Deus que se importa, que Ele possa me abraçar agora, preenchendo tudo o que está vazio em mim.
Foi quando um forte vento soprou sobre o seu rosto, e as árvores se movimentaram liberando um cheiro agradável que a invadiu, e ela se sentia envolta de milhões de sorrisos. Uma solitária borboleta colorida pousou em suas mãos.
Ela levantou seu olhar e teve certeza: Ele estava ali. E finalmente, aquela mulher sorriu, e passou a ter um novo motivo para viver.
Pegou o que encontrou em cima de sua cama, e saindo pela porta da frente de sua casa, ela sabia estar seguindo rumo à uma vida melhor...
sábado, 24 de julho de 2010
Apenas diferente.
Eu posso temer o dia de hoje, ou apenas sorrir a ele tendo em mente que este pode se tornar o melhor da minha vida inteira. Cabe a mim a decisão de torná-lo bom ou não. Eu sei que isso pode até parecer um clichê como outro qualquer com intenção apenas de facilitar ou dificultar mais ainda tudo o que tenho pela frente, mas hoje já compreendo que não é assim que a vida funciona. Hoje encontro fundamentos demasiados para ter a certeza que posso fazer tudo diferente de ontem ou apenas permitir que seja tudo igual..
Ao olhar para o céu e me deparar com essas nuvens escuras, eu posso reclamar pelo mau tempo ou sorrir e agradecer pela chuva que alimentará as mais belas árvores que tenho o privilégio de ter como paisagem... Posso me aborrecer com os problemas que de alguma forma tem de ser resolvidos hoje, ou me alegrar por estar prestes a me livrar deles..
Posso ser dura com aquele amigo que errou e vem me pedir perdão, ou posso me alegrar, abraçando-o forte e dizer o quanto ele me fez falta.. É, a minha vida sou eu mesma quem construo.
A verdade é que se eu não valorizar o hoje, e passar a esperar somente que o amanhã seja melhor, o amanhã será exatamente como o hoje, até que já não haja mais amanhã. E me restará apenas lamentar, aonde quer que eu esteja, de ter feito esse tipo de coisa. De ter sido esse tipo de gente.. Medíocre. A minha vida merece ser reconhecida pelo valor que ela tem, e os meus dias precisam ser sempre especiais de alguma forma... Eu preciso mudar pra melhor e ter coragem suficiente para seguir em frente tendo fé que eu posso mudar.
E que a minha decisão mude os meus atos, e eu espero que meus atos me mudem pra melhor.
"Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais. (José Saramago)."
E que eu seja diferente da maioria.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Semblante de adeus
Se te grito não me compreendes, pois nem eu mesma tenho capacidade de fazê-lo agora. Estou confusa, e não sei bem o que sentir... É estranha a sensação de despedida.
Não sei se te amei direito, e realmente acho que não. Não pude te regalar o meu melhor, porque me escondia constantemente debaixo das asas do meu grande medo.. E me culpava diariamente por ser tão medíocre guardando e utilizando esse tipo de sentimento.
E anunciando o fim me culpei mais ainda pelo vazio que nos apareceu. Sim, eu sei que me amas, mas também sei que você merece mais que só a mim... Merecias minha alma, meu corpo, as forças que guardo, e por não poder me entregar a ti desta maneira, me virei à um novo caminho, tentando achar uma maneira rápida, e depois duradoura de ser feliz.
A sensação de borboletas no estômago foi tomada por um embrulho ruim que me tomou todo o corpo, e eu não consegui sorrir ao me mostrar a ti pela última vez. Que guardes meus sorrisos mais doces, para que assim apague meu triste semblante de adeus implícito, ao qual, por alguma razão, se recusa a ser dito.
Espero que tenha feito o certo, e que depois de mim, sejas ainda o mais feliz de toda a terra.
domingo, 18 de julho de 2010
Sinto muito, é o fim.
E se for pra lembrar do nosso amor, lembre-se dos momentos bons, e tente esquecer o agora que nos distancia a cada vez mais.. Eu sinto muito por não ser o que você sempre quis, mas exatamente por não sê-lo, agora chega ao ponto final definitivo. Eu sinto que é isso que nos passa.
As idas e vindas, as nossas controvérsias, hoje eu sei que grande parte disso, ou até mesmo tudo isso é de minha responsabilidade, e por isso me pesa a consciência, que sonhava em nunca machucar ninguém baseada nos falsos juramentos de um tempo um pouco antes de você. Eu nunca quis te magoar. Eu só posso dizer que sinto muito, e ser mais sincera ainda ao dizer que espero que você não fique assim por muito tempo.
Desejo que o tempo faça com que você me esqueça, vai ser melhor assim. Os nossos caminhos se separam a partir daqui.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Não foi só um sonho.
Não há mais importância nas suas lembranças repetitivas. O meu pequeno sofrimento já se esconde nos sorrisos diários e quase falsos de um dia normal. É só parte do meu cotidiano rever o passado. É só o meu inútil costume de te lembrar e inevitavelmente, sentir sua falta. É normal juntar palavras de aparência vazia sobre você, quando na verdade eu sei, elas estão preenchidas com a minha saudade, ou qualquer outro sentimento que traduza a mesma coisa.
Palavras, frases, textos.. Coisas sobre você que eu espero que nunca cheguem ao teu conhecimento. Porque é melhor que você pense que eu não me importo, assim eu não passo a fazer parte de uma das suas preocupações.
Desejar mais uma vez o impossível de voltar no tempo, e repetir inúmeras vezes aquele momento: em meio a tanta gente você escolheu a mim para abraçar forte e sorrir. Não há o que eu não faria para reviver aquele seu olhar e me sentir completa. Sentir teus braços me envolvendo como se há tempos o esperasse, e o desejasse, até mais que eu.. O amor não é mais o mesmo, mas ainda assim aguardo o milagre que me traga o tempo de volta, para que assim eu possa me certificar: não foi só um sonho.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Reverência ao Destino
Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.
(Carlos Drummond de Andrade)
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.
(Carlos Drummond de Andrade)
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Questão de obediência
Depois da experiência própria, tive que aprender que é mais difícil quando a culpa é minha, e que perdoar a mim mesma é a decisão mais difícil a ser tomada.
Percebi que a culpa é um sentimento crescente que de vez em quando pode ser maior que eu, me causando um sentimento de tensão misturado a muitas coisas que eu não sei definir, e que se por acaso os meus erros atingem a alguém que eu amo, o coração vai se tornando uma bola de neve recheada de um tanto de coisas horríveis e incontroláveis que me roubaram tudo o que eu tinha a dizer.
E eu, obediente aos sentimentos, e perdida dentro de mim, fui obrigada a terminar por aqui. Não sei o que fazer, tampouco o que dizer, o meu silêncio recomeça aqui.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Eu não abro mão.
Sinto muito por não ser perfeita, ou por não poder tornar sua vida assim: um mar de rosas. Mas eu nunca te disse que seria assim. Eu nunca disse que as risadas do final de tarde se estenderiam a uma vida toda aonde você nunca mais derramaria sequer uma solitária lágrima de tristeza.
Mas aqui estou eu outra vez pra cumprir com ações o que prometi tantas vezes por conversas quando alcançávamos os mais altos montes da felicidade. É, amiga, a vida não é fácil. E esse é um dos clichês mais verdadeiros... Posso não ser a pessoa mais experiente de todas, e ainda assim, infelizmente, tenho o difícil dever de te abrir os olhos quando você achar que a sua dor é a maior do mundo, porque nunca será assim. Poderia até ser caso um dia você estivesse totalmente sozinha, mas perceba: isso nunca acontecerá. Ainda que você não possua a amiga que pediu tantas vezes, você sabe que tem a mim. E a Deus, que apesar de ter criado cada detalhe desse grande universo, e ainda ter cuidar de tudo minuciosamente de maneira frequente, te olha e guarda em cada momento da sua vida. Você nunca foi menos importante pra Ele. E nunca será pra mim.
Não entendo o porque dessa sua dificuldade de compreender que a amizade não é feita só do compartilhamento de momentos bons, mas é também, diversas vezes, a fonte de força pra quando a gente acha que o mundo de repente é quadrado e podemos cair a qualquer momento. Se a tua vida fosse perfeita não seria tão interessante. Eu não me importo contigo só quando você tem as suas alegrias pra me contar, e você devia parar só um pouco pra pensar nisso. E devia mostrar que sabe disso.
Melhor amiga do mundo, eu estou aqui em todos os momentos por você.E muitas vezes essa é a única força que me move.
Se for necessário, ponha abaixo tudo o que você passou, e encontre as forças que eu sei que você tem para um recomeço. E conta comigo, porque eu te amo, e não abro mão da tua felicidade.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Há momentos.
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.
Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre. (Clarice Lispector)
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Domingo, 23.
Ele me olhava fixamente da maneira mais intensa que eu já pude sentir. Nunca passou pela minha cabeça algum dia que alguém que eu nem conhecesse direito pudesse me despertar uma onda de sentimentos misturados tão grande. Mas ele o fez. Os meus pais me aguardavam na porta, e tentavam conter os ruídos que ela fazia de quando em vez. Eu não sabia porque mas eles sentiam uma necessidade profunda de escutar o que havia para ser dito em seguida, e não queriam que eu soubesse dessa estranha curiosidade.
Sem motivo algum, me enfraqueci, e não tive fundo de força algum para me manter de pé. Sentei-me naquela cama que eu tanto detestava, e esperei silenciosamente, já com os olhos cheio d'água, a notícia que caminhava de forma sombria em minha direção.
Eu não sabia porque, mas sentia que aquilo tudo não ia ser muito bom pra mim, nem pra niguém que se importasse comigo, afinal, não é normal ter que frequentar um espaço como aquele como eu estava fazendo quase diariamente. Tudo gritava por socorro, e eu não queria ter que me juntar aquele coro de sofrimentos vazios.
Eu sabia que já era chegada a hora, e aquele homem conseguiu alcançar um semblante que me dizia o oposto daquelas roupas claras que carregava consigo por obrigação.
Ele se abaixou lentamente visando estar na mesma altura que a minha fraqueza me colocou, e tentando alcançar alguma expressão de consolo, ele finalmente se encorajou:
-Sinto muito, você tem câncer.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Em tons de verde.
Porque drama é um dom de poucos, e sei disso pelo fato de ter notado que não é comum tornar um "até logo" em um "adeus", e nem transformar um simples "oi" num futuro conto de fadas. Não é comum para muitos. Pra mim sim.
Já percebi que isso foge qualquer padrão de normalidade, e sabendo que ainda não deixei claro o suficiente, volto a confirmar que: eu abomino padrões de normalidade. Acho que isso é uma forma de caminhar para um futuro onde seremos chamados por números, e todos serão iguais. E sinceramente, eu não quero ver isso acontecer, e por isso fujo de tudo o que tentam impor, torcendo para não ser a única, pois sei que caso isso aconteça, me tiram a vida.
Meu sarcasmo pode te assustar, e minha grosseria súbita podem fazer com que você me tema, mas te garanto que normalmente posso ser agradável e meiga, a fim de demonstrar que ainda que eu seja um pouco estranha, eu também tenho minhas qualidades.
Enquanto você ri daquilo que eu penso, eu me preparo para fazer o mesmo, sabendo que você logo estará pensando da mesma maneira. Só que quando isso acontecer, outra vez você vai rir de mim, até um dia atingir algum grau de esperteza que te faça ver que eu simplesmente estou à frente.
Isso não é uma demonstração de um grande ego, essa sou eu, em alguma fase que eu não quero denominar. No momento, não gosto tanto assim do que tem valores e significados exatos. Mas digo que é algo assim... Em tons de verde.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Doce junho.
Me levantei mais cedo, não quis acender a luz, saí com passos leves a fim de não te despertar.
- Já vai assim... tão cedo? - você me surpreendeu.
Meus olhos inundados se voltaram ao chão, e apesar de pensar desesperadamente em um resposta, eu não soube o que dizer.
- A culpa é minha, não é? - NÃO! Não existe culpa...
Eu estou tentando proteger o que nós construímos, e até a nós mesmos. Não quero que o nosso final obrigatório seja adiado, isso nos machucaria ainda mais...
Ele me puxava devagar procurando meus olhos, e ao estar frente a frente com aquele que eu estava deixando, fui engolida pela culpa daquelas lágrimas compartilhadas.
- Você não vai me dizer nada? - meus olhos já não dizem tudo?
Infelizmente nossos caminhos são distantes, e eu não posso ter o que preciso de você, e muito menos posso te dar o que você precisa. Não há mais nada a ser dito, a não ser todas as desculpas e as últimas palavras de adeus.
- Eu não posso te esquecer. - sim, você pode.
E provavelmente em breve serei um pequeno pedaço de recordação que você carregará consigo para ter algum conforto quando as luzes se apagarem outra vez.
O sol nascia e era hora de ir, juntei minhas últimas malas, e também pela última vez me fixei em frente aquele amor de verão, que eu fui estúpida o suficiente para amar em meio ao inverno.
Uni minhas últimas forças e abri a porta delicadamente. Virei-me deixando para trás um último olhar.
- Eu te amo. - eu também.
Você será sempre o meu doce junho.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
A qualquer momento.
Eu nem sei mais quanto tempo dedico ao que quero, e o quanto me importo de ser reconhecida.. Porque antes tinha o prazer diário da escrita, e hoje, apesar de tentar diversas vezes ao dia, não tenho tido muito o que dizer..
A verdade é que julguei demais, secretamente, aqueles que me desabafavam a falta da liberdade, e infelizmente, tive que viver o mesmo que eles para entender o real sentimento de quem, de alguma maneira, se vê preso. E realmente é terrível. E mais terrível ainda como se é como eu, que não gosta de dizer essas coisas diretamente a alguém, visando simplesmente receber algum consolo em troca. Eu sou do tipo que gosta de ajudar todos, mas que não gosta ou costuma procurar algo em troca (não que isso seja uma qualidade sempre).
Tenho me escondido dentro de mim, e me perdido constantemente por não conhecer o meu mundo do jeito que eu pensava conhecer.. É tudo confuso dentro de mim. Meus caminhos são confusos, e meus pensamentos formam um emaranhado de sonhos e desastres que eu tenho tentado controlar sem sucesso algum.. Meus órgãos parecem trabalhar por conta própria.
Dentro de mim tudo é quadrado, e eu posso cair a qualquer momento.
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